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O Que é a Disfagia?

10 fevereiro 2015

Apesar de muitos avanços na medicina e o conhecimento mais divulgado na área da saúde, algumas funções básicas do corpo humano só são pensadas e realmente sentidas quando nós ou alguém que conhecemos fica privado de realizá-la com a mesma autonomia de sempre.

A deglutição é uma destas funções. O ato de engolir é uma ação motora automática, cujo objetivo é transportar o alimento ou saliva da boca até o estômago de forma segura e funcional. É uma ação automática, que está presente desde a oitava semana de gestação e é vital para garantir a sobrevivência do ser humano.

A disfagia, em contraponto, é qualquer alteração existente no processo da deglutição, seja ela orofaríngea ou esofágica, que dificulte ou impossibilite a ingestão oral segura, eficaz e confortável de saliva ou alimento de qualquer consistência, podendo causar desnutrição, desidratação e aspiração que ocasionam a pneumonia e o óbito.

Essa disfagia pode ser congênita ou adquirida durante a vida:
– Neurogênica: decorrente de qualquer alteração neurológica como AVE (derrames), paralisia cerebral, traumatismos cranianos, doença de Parkinson, Alzheimer, Esclerose Lateral Amiotrófica, entre outras;
– Mecânica: uma das causas de maior incidência é o câncer de cabeça e pescoço e traumas de face e na região cervical;
– Psicogênica: decorrente de manifestações de quadros depressivos, ansiosos e mesmo conversivos.

Existe também a disfagia decorrente do processo de envelhecimento, causada pela redução na funcionalidade do sistema sensitivo e motor orofaríngeo, além da associação com outras causas de disfagia.

O fonoaudiólogo é o profissional habilitado para realizar a avaliação, diagnóstico e tratamento terapêutico das disfagias orofaríngeas, bem como o gerenciamento destas alterações em todas as fases da vida, desde o recém nascido até o idoso.

Atualmente, esse profissional especializado dispõe de conhecimento para realizar a avaliação clínica, além de exames complementares como a Nasofibrolaringoscopia Funcional da Deglutição ou o Videodeglutograma que auxiliam no diagnóstico, tratamento e prognóstico de reabilitação da doença.

Durante o tratamento, muitos casos podem precisar do uso de vias alternativas de alimentação como sondas enterais (SNE ou SNG), gastrostomia ou simplesmente a modificação da consistência de alimento para uma consistência mais segura, que evite engasgos e broncoaspirações. Alguns recursos são de grande auxílio neste processo como o uso de suplementos alimentares e espessantes para líquidos, utensílios modificados que facilitam a capitação do bolo alimentar, o seu processamento na cavidade oral e o transporte pela região cervical, do esôfago e estômago.

O tratamento e a reabilitação da disfagia depende de vários fatores e muitas vezes o resultado não restitui ao paciente a função da deglutição, mas gerencia a nutrição e hidratação de forma mais confortável e segura, promovendo qualidade de vida ao paciente e cuidadores envolvidos nesse processo.