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Nutrição na terceira idade: Como os alimentos podem ajudar a prevenir doenças crônicas

04 abril 2016

Melhor idade com saúde, saiba como os alimentos podem ajudar a prevenir doenças crônicas

É possível viver mais e ter qualidade de vida através da nutrição específica para idosos

A população brasileira está envelhecendo em ritmo acelerado – é o que aponta um levantamento recente do IBGE. De acordo com o Instituto, na última década a população brasileira acima dos 60 anos cresceu incríveis 117%, passando de 11,4 milhões para cerca de 24 milhões de idosos. A estimativa ainda demonstra que nas próximas duas décadas, essa população deve triplicar, fazendo com que os idosos representem quase 40% do número de brasileiros. Fatores como a queda da natalidade e o aumento da expectativa de vida foram os principais responsáveis por um crescimento significativo em tão pouco tempo.

Se por um lado a longevidade é positiva e resultado de conquistas da sociedade, por outro é um sinal alarmante para governos e famílias. Países desenvolvidos como Estados Unidos, Japão e França também apresentam uma crescente no número de idosos, porém este fenômeno observa-se há muito mais tempo e, em comparação com o Brasil, segue numa marcha mais lenta. O que isso significa? Enquanto países desenvolvidos tiveram aspectos sociais envolvendo a população idosa moldados ao longo de várias décadas, nós teremos que tomar medidas urgentes para lidar com este novo cenário.

É preciso planejar a longo prazo, pois a tendência é que a expectativa do brasileiro aumente ainda mais, passando dos atuais 75 para 81 anos de vida até 2050. Além dos fatores econômicos como trabalho e aposentadoria, as questões mais preocupantes envolvem o convívio e a saúde da terceira idade. Afinal, não basta apenas viver mais, é preciso sobretudo ter qualidade de vida!

Saúde e renda

Sem dúvida a saúde é a preocupação número um de todo idoso. Se os impostos e alta da inflação tem impacto direto sob o orçamento das famílias, para os aposentados e pensionistas é ainda pior. Os baixos reajustes da aposentadoria, novos fatores previdenciários e a falta da oportunidade no mercado de trabalho são temores presentes na vida dessa fatia da população.

Se nessa época da vida acumula-se sabedoria, por outro lado o vigor já não é mais o mesmo e os gastos com a saúde são ainda mais elevados. Planos de saúde cada vez mais caros, medicamentos de uso contínuo e terapias específicas levam boa parte da renda do brasileiro acima dos 60 anos. Estima-se que só os gastos com saúde podem comprometer até 80% do seu orçamento mensal, de acordo com a última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF-IBGE 2008/2009).

Estima-se ainda que cerca de 4 milhões de idosos vivam sozinhos, seja por opção própria ou por situações como a independência dos filhos ou a morte do cônjuge – o que acaba resultando em abandono e isolamento para muitos deles. O fator preocupante nessa questão é que os cuidados com a saúde devem ser redobrados e convívio social não deve ser desprezado.

A mudança de hábitos e adoção de novas atitudes podem aumentar consideravelmente não apenas a longevidade, mas a qualidade daqueles que atravessam essa fase da vida. Conscientizar-se dos principais desafios a serem enfrentados é o primeiro para saber quais medidas devem ser tomadas para amenizar os efeitos negativos e aproveitar os benefícios da melhor idade.

Desafios à saúde

As enfermidades características dessa fase são cada vez mais comuns no país. De acordo com levantamento do próprio Ministério da Saúde, cerca de 70% dos pacientes do Programa de Atendimento Médico Domiciliar são pessoas com mais de 60 anos, e pouco menos da metade delas, acima dos 80. Isso demonstra que, apesar do programa ser multidisciplinar e abranger todas as faixas etárias da população, a abordagem da saúde do idoso requer cada vez mais atenção.

A convivência com doenças crônicas é o grande desafio para a saúde do idoso. Entre os principais males que afetam essa parte da população, doenças crônicas como diabetes e hipertensão são as que mais consomem recursos financeiros devido a necessidade de medicação contínua e tratamentos específicos. Apesar de programas como a distribuição de medicamentos gratuitos ou mais baratos, muitos idosos ainda gastam muito com esse tipo de enfermidade. Além dessa preocupação, uma parte dessas pessoas são acometidas com doenças degenerativas, que aumentam ainda mais a necessidade de atenção e cuidados especiais.

É natural que com o avanço da idade alguns males surjam: desgaste ósseo, problemas na visão e audição, problemas do trato urinário e digestivo, etc. Porém é preciso estar atento aos sinais do organismo: no Brasil, doenças respiratórias, cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais (AVC) são as maiores causas de morte, representando cerca de 70%. Na maioria dos casos a prevenção, diagnóstico precoce e mudança de hábitos poderiam ter mudado a história dos pacientes. Mais do que qualquer fase da vida, a vigilância e disciplina durante a terceira idade são importantes para que a saúde não seja seriamente comprometida.

Muitas pessoas só passam a ter hábitos saudáveis e praticar exercícios após o diagnóstico de uma doença crônica ou degenerativa, porém é fundamental que atitudes sejam mudadas visando a qualidade de vida e até como forma de prevenção. E, mesmo que tardio, a adoção de algumas práticas pode mudar o quadro de saúde do indivíduo favoravelmente.

A prevenção é o melhor remédio

De acordo com a nutricionista Lygia Maffei da Nova Nutrii, a melhor forma de prevenção é através da alimentação adequada “Muitos males podem ser evitados através da alimentação saudável e, em casos de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, a adoção de uma dieta específica é essencial para garantir a saúde do paciente.”

Muitas doenças crônicas são fruto de maus hábitos. Uma dieta desequilibrada, com alto consumo de comidas industrializadas, gorduras e açúcares ao longo da vida podem acarretar no surgimento de problemas como colesterol alto e hipertensão. Podendo agravar ainda mais por hábitos como fumo, consumo de bebidas alcoólicas e sedentarismo, a chance de desenvolver problemas como câncer e doenças cardíacas aumentam consideravelmente.

Uma boa dieta pode ajudar tanto a prevenir, quando a tratar este tipo doença. Alimentos integrais são fundamentais na prevenção de doenças crônicas. Por sua alta concentração de fibras, esses alimentos tem a capacidade de auxiliar na eliminação da gordura do organismo, acelerar e regular o sistema digestivo. Uma pesquisa recente feita pela universidade de Harvard apontou que a ingestão diária de alimentos integrais pode reduzir em 9% o risco de morte por doenças cardíacas. Também existem evidências de que este tipo de alimento pode prevenir o surgimento de doenças do trato digestivo como câncer de boca, faringe, laringe, estômago e reto, por exemplo.

O próprio INCA (Instituto Nacional do Câncer) afirma que uma dieta saudável pode reduzir as chances de desenvolver a doença em 40%. Porém o cuidado com a alimentação não é valido somente para a prevenção. O tratamento de doenças crônicas como diabetes, osteoporose e doenças degenerativas depende totalmente da correta oferta de nutrientes e controle da alimentação.

Em alguns casos, a suplementação também é fundamental, como por exemplo quadros nos quais a absorção de nutrientes é comprometida por dificuldade de absorção de alimentos ou até mesmo a sua deglutição. “Idosos com Alzheimer, Mal de Parkinson ou em tratamentos como câncer, precisam de suplementação para garantir o aporte de determinados nutrientes. Alguns pontos devem ser considerados, como a dificuldade de engolir e desnutrição por exemplo.” – afirma a nutricionista. Estudos apontam que alguns micronutrientes oferecidos pela suplementação podem ser determinantes no tratamento do câncer, aumentando a imunidade do paciente e dando mais resistência ao organismo durante seu tratamento.

A alimentação correta pode melhorar diversos aspectos do organismo. Na terceira idade é fundamental garantir que determinadas funções do organismo sejam contempladas através de alimentos que garantam nutrientes específicos:

  • Alimentos Energéticos: garantem o vigor para as atividades diárias e o funcionamento do metabolismo – fontes de carboidratos e gorduras
  • Alimentos Construtores: recompõem e mantem tecidos musculares e ósseos – fonte de proteínas, cálcio e fibras;
  • Alimentos Reguladores: responsáveis por facilitar a ingestão e absorção de nutrientes, garantindo o funcionamento do sistema digestivo e o transporte de vitaminas por todo o organismo – fontes de minerais, fibras e vitaminas em geral.

É muito importante que o indivíduo tenha ciência do seu estado nutricional e possíveis patologias antes de adotar qualquer dieta. Algumas doenças e condições físicas determinam o que é permitido e o que deve ser evitado. É preciso levar em consideração que diversas outras situações podem influenciar na dieta da pessoa acima dos 60 anos.

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A nutrição na terceira idade

Além de considerar o gosto pessoal do indivíduo, é preciso ter consciência do estado de saúde do paciente e então fazer a escolha adequada para o seu perfil. Algumas situações típicas dessa fase podem ser determinantes na nutrição: muitos idosos não tem condição de preparar suas refeições, vivem sozinhos ou em casas de repouso, além de restrições fisiológicas como:

Deficiências sensoriais: Com o avanço da idade, alguns sentidos podem ficar comprometidos e o indivíduo pode começar a ter problemas que influenciem sua capacidade de alimentar-se. Sobretudo a dificuldade de deglutição proveniente de algumas doenças pode levar a desnutrição;

Função hormonal: A andropausa e menopausa significam uma mudança brusca na produção de hormônios de homens e mulheres, podendo influenciar em seu apetite, humor e disposição. Além disso a sintetização da insulina pelo pâncreas é reduzida, afetando os níveis de glicose, podendo levar a diabetes;

Problemas digestivos: o avanço da idade e a perda do tônus muscular podem acarretar em problemas como constipação, infecções, dificuldades de digestão e absorção;

Saúde muscular: uma das perdas mais evidentes do organismo é o enfraquecimento e redução do tecido muscular. A suplementação e a prática de atividades físicas como musculação também podem ajudar a amenizar essa situação;

Todas essas situações podem levar a perda ou até mesmo excesso de apetite. O aporte de nutrientes deve ser cuidadosamente planejado, independente do seu estado de saúde. Afinal, nutrir-se não significa comer muito, mas comer corretamente.

Dicas para uma vida mais saudável

A qualidade de vida é promovida por diversos fatores, e nenhum deles devem ser negligenciados pela família, pelos cuidadores e muito menos pelos próprios idosos. Seguindo estes conselhos, com certeza a pessoa que está na melhor idade desfrutará de longevidade e saúde, para curtir essa fase da vida, prevenindo-se e minimizando as preocupações:

  • Ter um plano alimentar diversificado e de acordo com sua dieta;
  • Fazer refeições balanceadas a cada 3 horas;
  • Comer vagarosamente, mastigando bem os alimentos;
  • Controlar a ingestão de gorduras e utilizar óleos mais saudáveis como o azeite de oliva;
  • Preparar pratos de fácil digestão, cortando alimentos em pedaços pequenos ou processados;
  • Evitar alimentos e bebidas industrializadas;
  • Reduzir o consumo de sal e açúcar;
  • Hidratar-se bem e vagarosamente;
  • Controlar o peso e os níveis de colesterol;
  • Praticar atividades físicas sob a supervisão de um profissional;
  • Exercitar a mente através da leitura, jogos ou a prática de uma atividade musical por exemplo;
  • Socializar, ter atividades agradáveis;
  • Consultar-se regularmente com um geriatra;

Uma atitude positiva e transformadora é essencial diante dessa fase da vida – a longevidade é sim um desafio, mas também é uma dádiva que deve ser celebrada. Ao contrário do que se pode imaginar a velhice não deve representar incapacidade e estagnação. É essencial ao idoso manter-se ativo e adotar hábitos saudáveis que favoreçam a manutenção da imunidade e do vigor físico e mental, garantindo assim saúde e bem estar!


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